quinta-feira, 28 de junho de 2007

Médica orienta mulheres negras a denunciarem discriminação racial nos hospitais



Brasília - A mulheres negras têm menos atenção e não são tão bem atendidas no serviço público de saúde quanto as mulheres brancas. A afirmação é da coordenadora da organização não-governamental Crioula, a médica Jurema Werneck.“No caso das mulheres negras o racismo faz uma diferença gigantesca, as queixas, as demandas das mulheres negras não são ouvidas e quando são ouvidas a resposta que o sistema de saúde dá é menor do que a rotina que o protocolo de saúde obriga.”Segundo o Comitê Estadual de Prevenção da Mortalidade Materna do Rio de Janeiro, 63% das mulheres vitimadas por morte materna no estado em 2003 são negras. Pesquisa feita pela Fundação Oswaldo Cruz em parceria com a prefeitura do Rio de Janeiro com 10 mil mulheres revela que durante parto normal 11,1% das mulheres negras não receberam anestésico enquanto nas mulheres brancas o percentual é de 5,1%.


O primeiro passo para combater o racismo sofrido pelas mulheres negras é que elas não aceitem tratamento discriminatório, na avaliação da coordenadora do Crioula.


Levar a discussão as autoridades de saúde e governamentais é outro passo apontado por Jurema Werneck, que participa hoje (23) do seminário Programa de Combate ao Racismo Institucional: uma experiência exitosa de cooperação internacional, em Brasília. ','').replace('','') -->

Mulheres negras são as mais discriminadas

As mulheres, principalmente as negras, são as que mais sofrem desigualdade social. Elas recebem menos que os homens mesmo tendo um grau de escolaridade superior ao deles. Esse é um dos fatos que se repete nas maiores empresas brasileiras, segundo a pesquisa “Perfil Social e de Gênero das 500 maiores Empresas do Brasil”, coordenada pelo Instituto Ethos.


Foram analisados diversos outros tópicos dentro dessas companhias: composição de gênero e raça, presença de pessoas portadores de deficiência, escolaridade e faixa etária dos funcionários de todos os níveis (executivo, gerência, chefia e funcional). Os dados levantados são alarmantes.
É baixo o índice contratação dos portadores de deficiência. O grau de escolaridade é pequeno e existe preconceito a pessoas maiores de 46 anos. Por essas razões, a entidade quer preparar os profissionais com essas características para que diminua o preconceito.


“A medida que aumenta o cargo, exige-se uma escolaridade maior, por isso, precisamos preparar essas pessoas”, disse o coordenador e colaborador da entidade, Paulo Itacarambi. A idéia é que as empresas adotem medidas como a diversidade como um parâmetro orientador de desenvolvimento, manutenção, plano de carreira e remuneração de pessoas, incluindo programas de integração a diversidade.


A proposta é desencadear uma série de ações promovendo a diversidade e a equidade nas empresas para que elas possam ser estimuladas a combater todas as desigualdades existentes. Esse foi o principal objetivo da pesquisa.


Para Armand Pereira, cordenador da OIT (Organização Internacional do Trabalho), a discriminação começa na educação e depois passa para o mercado de trabalho, por isso, as políticas empresariais são necessárias para a sociedade: “Temos muito que explorar e avançar, as ações positivas com metas são inefalíveis”, explica.


A pesquisa foi feita pelo Instituto Ethos em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), Organização Internacional do Trabalho (OIT) e o Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para as Mulheres (Unifem).

Mulheres negras:reflexões sobre identidade e resistência!



Nos estudos sobre gênero uma das tendências atuais mais promissoras indica que devemos pensar o feminino não como uma essência natural, mas como sendo constituído em consonância com uma estrutura que só pode ser compreendida se for contextualizada e se forem consideradas outras categorias classificatórias como classe, raça e etnia.


Segundo Judith Butler (2003: 20) “...se tornou impossível separar a noção de “gênero” das intersecções políticas e culturais em que invariavelmente ela é produzida e mantida.”
Em razão disso, uma das maneiras de compreendermos a situação da mulher negra no Brasil é nos orientarmos através dos indicadores que apontam para a sua condição sócio-econômica e ocupacional.


A observação da existência de desigualdade racial no mercado de trabalho pode ser comprovada através de dados do DIEESE, entre outros órgãos de pesquisa. Como já é mais do que sabido, os efeitos do preconceito no mercado de trabalho penalizam indivíduos negros que, em consequência, recebem rendimentos inferiores aos dos brancos.


Quando estudamos a relação gênero e raça, percebemos que o homem negro ocupa um patamar abaixo do da mulher branca quanto ao rendimento salarial. Mas as mulheres negras se encontram ainda mais abaixo na pirâmide ocupacional: recebem os menores salários mesmo que em muitos casos ocupem a chefia de sua família.

odemos concluir que as relações interétnicas entre brancos e negros expressam uma complementaridade: o preconceito e a discriminação contra as trabalhadoras negras servem para designá-las às posições mais desprestigiadas e mal remuneradas.


Por outro lado, predominam nas posições que concentram maior prestígio, poder e renda aqueles trabalhadores que mais se aproximam do estereótipo de macho branco, descendente de europeu com religião cristã.


Pode-se dizer que para a população negra a superação das situações de discriminação constitui-se em um problema que podemos associar a uma redefinição de sua própria identidade. Desde o processo da Abolição no Brasil, há 115 anos, a identidade da mulher negra passa por um processo de redefinição. Ao resistir organizadamente ela rompe com as barreiras que a circunscrevem a determinados espaços e se redescobre como cidadã.


Ao pensarmos a situação da mulher negra no Brasil atual temos que levar em consideração que em uma sociedade democrática o respeito às diferenças de raça, etnia, gênero, orientação sexual, aparência física não é abandonar cada segmento à sua própria sorte mas questionar as relações de poder que hierarquizam as diferentes posições.

Pesquisa organizada por Rejanne Soares

Minorias, maiorias... a quem interessa a divisão?



Minorias? Maiorias? Negro. Mulher. Indígena. Judeu. Muçulmano. Homossexual... Heterossexual... Passivo... Ativo...Travesti... Transexual ...G.L.S...


Lenta e morbidamente, como um câncer, vivemos a tentativa - ou seria preferível dizer, a tendência? - da diluição da consciência de classe como parte fundamental da luta de classes através de mecanismos muito sutis.


Estruturalmente, a economia globalizada, e a proposta de um mundo sem fronteiras, distancia o sujeito - detentor do poder econômico - do objeto, trabalhador, detentor da força de trabalho. Tornados iguais como consumidores, tornamo-nos massa, sem sermos classe, sem nem identificarmos os sujeitos e os objetos.


Ao invés do "Trabalhadores do mundo, uni-vos!" cunhado por K.Marx temos hoje o Consumidores do mundo, consumi! sem que se possa, ao menos, gravar uma autoria.A queda do muro de Berlim e tudo o que representou contribuiu sobremaneira para a composição do comportamento geral destes tempos.


O mastro erguido não possui bandeira a tremular, criando um vazio ideológico que serve como uma luva ao crescimento do individualismo e de sua defesa pelos mais diferentes meios (seja por parte do Estado com, por exemplo, o Código de Defesa do Consumidor; seja por parte de ONGs; seja por inúmeras associações; seja pela mídia; Procon e tantos e tantos outros).


Quem se colocaria contra esses mecanismos de defesa? Ninguém, afinal a luta pelos Direitos Humanos é uma luta da Humanidade.Entretanto, paralelamente, muitas lutas das denominadas minorias, sutilmente têm cumprido o papel de enfraquecer e não fortalecer tais lutas.


Seria possível outra via?

As mulheres, por exemplo, lutam pela igualdade dos direitos frente aos homens. Pouco importa que sejam mulheres proletárias ou burguesas?

Afinal, quem são "os homens"? Quem são "as mulheres"?

Os negros, lutam pelos seus direitos, contra as discriminações. Há negros e negros. Há negras e negras.


Há trabalhadores e patrões.

Os gays, lutam pelos seus direitos, igualmente contra a discriminações. Há gays negros e não negros. Há trabalhadores e patrões.As lésbicas, lutam pelos seus direitos, igualmente contra as discriminações. Há lésbicas negras e não negras.

Há empregados e patrões.


Índios. Ecologistas. Crianças e Adolescentes. Meninos e Meninas de Rua.

Portadores de Necessidades Especiais. Aposentados. Prostitutas. Toxicômanos. Roqueiros. Metaleiros. Pagodeiros. Rapers. Corintianos. Palmeirenses.

Há empregados e há patrões.


As classes sociais podem ser "classificadas" com as mais diferentes denominações ao longo da História, mas sempre é possível identificar dois pólos contrários, antagônicos e contraditórios. De um lado, o explorador e do outro o explorado. Escravo, servo ou operário guardam entre si a mesma característica, qual seja a de ceder sua força de trabalho em proveito do outro - senhor, industrial, banqueiro - que enriquece. Um não existe sem o outro. Seus interesses sempre são opostos. Um domina o poder político e o outro é submetido.


Caia o muro de Berlim ou não, haja a globalização ou não, haja minorias ou não, classes sociais sempre existirão e portanto sempre haverá a luta de classes como afirmava Marx, mesmo quando nos informam que a História acabou.


Como poderia? Como pretenderia o homem conter a dialética, sem exterminar a sociedade e as classes que a constituem? A quem interessa dissimular a luta de classes?A nosso ver as ideologias que defendem o modo de produção capitalista atuam de forma sofisticada, sutil, investindo em formas as mais variadas de divisão das classes antagônicas, trabalhadoras, desse modo retardando o enfrentamento. O caminho socialista não sucumbiu. O sonho da igualdade entre os homens permanece.


Nem porque desabou o muro de Berlim, desabou com ele nossa racionalidade sustentada pela concepção dialética da história.


A História se faz no tempo e para o tempo não há finitude, não existe limite...Nesse sentido, seria interessante que as correntes de pensamento e ação (partidos, sindicatos, associações diversas) inscrevessem em seus programas e objetivos o acolhimento às diferentes minorias numa dimensão de luta de classes e não como categorias à parte, dissociadas das relações de produção, como se ser negro fosse a condição primeira para ser explorado. É na pobreza que as diferentes minorias se tornam uma só.


Por que então dividi-las? A quem convém a atomização das forças de oposição?

A mais recente divisão a contribuir para essa atomização das forças, é a dos sexos.


Bem... mas seria melhor deixarmos esse assunto para o próximo número...


Eduardo Paulo Berardi Junior é professor de História

Pesquisa organizada por Rejanne Soares
Quando pessoas foram trazidas da África para o Brasil, não puderam trazer para cá nada além de suas religiões. Em uma das dividas africanas pouco cultuadas, mas que mantêm seguidos no Brasil é a Deusa Mawu. A deusa da África Ocidental, Mawu chamava-se originalmente Mawu-Lisa e por vezes era vista como gêmeos masculino e feminino, por vezes um ser andrógino. A divindade dupla Mawu-Lisa é intitulada Dadá Segbô (Grande Pai Espírito Vital), Sé-medô (Princípio da Existência) e Gbé-dotó (Criador da Vida).Mawu representa o Leste, à noite, a Lua, a terra e o subterrâneo.

Sempre que ocorria um eclipse, dizia-se que Mawu e Liza estariam fazendo amor. Mawu-Lisa criaram todo o Universo e os Voduns juntos.Lisa é, ao lado de Mawu, o vodun da Criação, pai e ancestral de todos os demais voduns, mas a tradição o coloca sempre em segundo plano em relação a Mawu. Lisa representa o Oeste, o Sol, o firmamento - assim como a luz e as águas contidas ali. É simbolizado por um camaleão que traz o globo dourado do Sol na boca. Enquanto Mawu representa o frescor e os prazeres da vida, Lisa encarna o trabalho, a seriedade e a determinação, semelhante à dualidade freudiana entre Eros, o princípio do prazer, e Tanatos, a pulsão da morte.A cor emblemática de Lisa é o branco, e seus vodunsis devem andar sempre de branco.

Ele recebe oferendas e sacrifícios de alimentos e animais de cor branca. Diferente de Mawu que se relaciona igualmente a todas as famílias de voduns, Lisa é considerado um JI-VODUN, e a tradição conta que ele é de origem nagô, e seus vodunsis ao final da iniciação são denominados anagonu.

Mawu é considerada uma deusa carinhosa, como atesta o provérbio: "Lisa pune, Mawu perdoa." Os Fon de Benin, na África Ocidental, cultuam Mawu como deusa Lunar.Depois de criar Ayìkúngban, o Mundo, Mawu, deu seu domínio aos gêmeos Sagbata. Sogdo, por ser muito parecido com seu genitor, permaneceu no Céu, governando os elementos e o clima. A Agbê e Naeté foi concedido o domínio de Hu, o mar, que refresca a terra. Agué foi encarregado das plantas e dos animais que habitam a terra e a Gu, que tinha o corpo que era uma espada, foi concedida a habilidade de auxiliar os homens a dominar o mundo criado e garantir seu sucesso e felicidade em suas cidades, artefatos e tecnologias. Djó foi responsável por separar o Céu da Terra e dar trajes de invisibilidade a seus irmãos.

O caçula mimado Legba permaneceu junto de Mawu, ancorado as seus pés. A cada vodun filho seu, Mawu ensinou uma língua diferente, que deveria ser usada em seus próprios domínios e Djó ficou encarregado de ensinar a linguagem dos homens, mas todos se esqueceram como falar a linguagem de Mawu, com exceção de Legba, que nunca se separou de seu genitor. Assim, todos os voduns e toda a humanidade teriam que recorrer a Legba para se comunicar com Mawu.
Legba passou assim, a estar em toda parte, para levar e trazer mensagens dos seres criados ao seu Criador.Dan Ayido Hwedo, a Serpente Cósmica, que havia auxiliado Mawu na criação no Mundo, não suportava o calor do sol e foi concedido que ele fosse morar no mar para se refrescar, circundando a terra, enquanto era alimentado com barras de ferro por macacos vermelhos enviados por Mawu, para evitar que mordesse a própria cauda e destruísse toda a Criação.O filho de Mawu-Lisa, que permaneceu nos céus e fundou o Panteão do Trovão foi Sogbo. Já Sagbata, foi enviado à terra para se multiplicar.

Quando teve que decidir que filho desceria à Terra, Mawu escolheu Sagbata por ser o mais velho. Sogdo ficou com inveja e fez com que as chuvas cessassem para que os homens não tivessem água para as colheitas. Quando as pessoas começaram a se queixar, Mawu enviou Legba para descobrir o que acontecia. Legba havia feito com que Sogdo parasse as chuvas inicialmente, mas Mawu não sabia disso. O trapaceiro Legba enviou um pássaro para iniciar incêndio na Terra. Quando a nuvem de fumaça se ergueu, Legba disse a Mawu que a falta de chuva estava queimando a Terra. Mawu então ordenou a Sogdo que liberasse a chuva.Numa lenda diferente, Mawu e Lisa eram os criadores e usaram o seu filho, Gu, para dar forma ao Mundo. Gu, a ferramenta divina, tinha a forma de uma espada de ferro. Ensinou o povo a arte de trabalhar o ferro, para que pudessem fazer as suas próprias ferramentas e abrigos, mas infelizmente, Gu não sabia que os humanos iriam fazer uso do seu conhecimento para fazer armas e, com a ajuda da serpente cósmica, Dan, as idéias dos humanos tornaram-se realidade.Na iconografia, Mawu é representada como uma anciã trajada apenas de um pano cingindo-lhe a cintura, caminhando apoiada num cajado na mão direita e levando um bastão encimado por uma Lua Crescente com as pontas para cima, na mão esquerda.Mawu era a Deusa Suprema dos Fon de Abomey (República de Benin). Mawu, a Lua, atrai temperaturas mais frias ao mundo Africano.Mawu não fazia contato direto com os homens, mas delegava seus poderes aos Voduns. Os Voduns constituem uma classe especial de criaturas vivas. Estão acima da humanidade, mas não são divindades, eles são os sinais que emanam do divino em resposta aos desejos espirituais da humanidade. Deste modo, Vodun designa tudo que é sagrado, todo o poder do invisível, que influencia o mundo dos vivos. Examinemos então a dinâmica do Panteão Vodun:GU, Vodun dos metais, guerra, fogo, e tecnologia.HEVIOSSO, Vodun que comanda os raios e relâmpagos.SAGBATA, Vodun da varíola.DAN, Vodun da riqueza, representado pela serpente do arco-íris..AGUE, Vodun da caça e protetor das florestas.AGBE, Vodun dono dos mares.AYIZAN, Vodun feminino dona da crosta terrestre e dos mercados.AGASSU, Vodun que representa a linhagem real do Reino do Daomé.AGUE, Vodun que representa a terra firme.LEGBA, o caçula de Mawu e Lisa, e representa as entradas e saídas e a sexualidade.FA, Vodun da Adivinhação e do destino.Os voduns na África são agrupados em "famílias" chefiadas por um vodun principal, ora representando um elemento ou fenômeno da natureza, ora da cultura. Existem basicamente 4 famílias principais:Os JI-VODUN, ou "voduns do alto", chefiados por Sogbo (forma basilar de HEVIOSSO ).Os AYI-VODUN, que são os voduns da terra, chefiados por SABAGTA.Os TO-VODUN, que são voduns próprios de uma determinada localidade (variados).Os HENU-VODUN, que são voduns cultuados por certos clãs que se consideram seus descendentes (variados).No Brasil os voduns são cultuados nos terreiros de Candomblé.A iniciação ao culto dos voduns é complexa é longa e pode envolver longas caminhadas a santuários e mercados e períodos de reclusão dentro do convento ou terreiro hunkpame, que podem chegar a durar um ano, onde os neófitos são submetidos a uma dura rotina de danças, preces, aprendizagem de línguas sagradas e votos de segredo e obediência.

O nome de Mawu foi utilizado para denominar o Deus Único dos judeus, cristãos e muçulmanos nas línguas ewe-fon, mas dentro de culto dos voduns, Mawu possui seus próprios conventos pelo sul do Benin e do Togo, com culto organizado, sacerdotes, iniciados, etc., como qualquer outro vodun. Os mawunon (sacerdotes de Mawu), apesar da aparente importância da divindade que cultuam, não têm nenhuma ascendência especial sobre os sacerdotes de outros voduns. Suas cores emblemáticas são o branco, o azul e o vermelho.Mawu chega até nossas vidas para dizermos que é hora de quebramos a rotina e temperá-la com mais Criatividade. Faça algo bom e totalmente diferente hoje. Mawu tinha muito amor à todas as suas crianças.

Compre doces e distribua às crianças de rua. Tente também conversar um pouco com elas. Tire de sua volta este paredão de medos e se envolva mais com seu semelhante. Converse com seu colega, seus funcionários, seus filhos, parentes e amigos. Escute o que o outro tem para lhe dizer, pois todos nós somos obras e criação de Mawu.

Você entenderá assim, que os vícios que nos condena outros são na verdade os seus próprios.
Nunca julgue para não ser julgado, aceite a vida como ela é, pois nada neste mundo material é eterno.

Fonte: http://marconegro.blogspot.com/search?updated-min=20...
Texto pesquisado e desenvolvido por Rosane Volpatto

A mão da limpeza

O branco inventou que o negro
Quando não suja na entrada
Vai sujar na saída,
êImagina só
Vai sujar na saída,
êImagina só
Que mentira danada,
êNa verdade a mão escrava
Passava a vida limpando
O que o branco sujava,
êImagina só
O que o branco sujava, ê
Imagina sóO que o negro penava, ê
Mesmo depois de abolida a escravidão
Negra é a mão
De quem faz a limpeza
Lavando a roupa encardida, esfregando o chão
Negra é a mãoÉ a mão da pureza
Negra é a vida consumida ao pé do fogão
Negra é a mão
Nos preparando a mesa
Limpando as manchas do mundo com água e sabão
Negra é a mão De imaculada nobreza
Na verdade a mão escrava
Passava a vida limpando
O que o branco sujava, êI
magina só
O que o branco sujava, ê
Imagina só
Eta branco sujão

Gilberto Gil
Composição: Gilberto Gil

UMA CULTURA AFRICANA EM SOLO BRASILEIRO - O CANDOMBLÉ


Em 1830, algumas mulheres negras originárias de Ketu, na Nigéria, e pertencentes a irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, reuniram-se para estabelecer uma forma de culto que preservasse as tradições africanas aqui, no Brasil.Segundo documentos históricos da época, esta reunião aconteceu na antiga Ladeira do Bercô; hoje, Rua Visconde de Itaparica, próximo a Igreja da Barroquinha na cidade de São Salvador - Estado da Bahia.
Desta reunião, que era formada por várias mulheres, conforme relatei anteriormente, uma mulher ajudada por Baba-Asiká, um ilustre africano da época, se destacou: - Íyànàssó Kalá ou Oká, cujo o òrúnkó no orisá era Íyàmagbó-Olódùmarè.
Mas, o motivo principal desta reunião era estabelecer um culto africanista no Brasil, pois viram essas mulheres, que se alguma coisa não fosse feita aos seus irmãos negros e descendentes, nada teriam para preservar o "culto de orisá", já que os negros que aqui chegavam eram batizados na Igreja Católica e obrigados a praticarem assim a religião católica.Porém, como praticar um culto de origem tribal, em uma terra distante de sua ìyá ìlú àiyé èmí, ou a mãe pátria terra da vida, como era chamada a África, pelos antigos africanos?Primeiro, tentaram fazer uma fusão de várias mitologias, dogmas e liturgias africanas.
Este culto, no Brasil, teria que ser similar ao culto praticado na África, em que o principal quesito para se ingressar em seus mistérios seria a iniciação. Enquanto na África a iniciação é feita muitas vezes em plena floresta, no Brasil foi estabelecida uma mini-África, ou seja, a casa de culto teria todos os orisás africanos juntos. Ao contrário da África, onde cada orisá está ligado a uma aldeia, ou cidade por exemplo: Sangô em Oyó, Osun em Ijesá e Ijebu e assim por diante.

A ORIGEM DO NOME CANDOMBLÉ

Este culto da forma como é aqui praticado e chamado de Candomblé, não existe na África. O que existe lá é o que chamo de culto à orisá, ou seja, cada região africana cultua um orisá e só inicia elegun ou pessoa daquele orisá.
Portanto, a palavra Candomblé foi uma forma de denominar as reuniões feitas pelos escravos, para cultuar seus deuses, porque também era comum chamar de Candomblé toda festa ou reunião de negros no Brasil. Por esse motivo, antigos Babalorisás e Iyalorisás evitavam chamar o "culto dos orisás" de Candomblé.
Eles não queriam com isso serem confundidos com estas festas. Mas, com o passar do tempo a palavra Candomblé foi aceita e passou a definir um conjunto de cultos vindo de diversas regiões africanas. A palavra Candomblé possui 2 (dois) significados entre os pesquisadores: Candomblé seria uma modificação fonética de Candonbé, um tipo de atabaque usado pelos negros de Angola; ou ainda, viria de Candonbidé, que quer dizer ato de louvar, pedir por alguém ou por alguma coisa.

NAÇÕES
Como forma complementar de culto, a palavra Candomblé passou a definir o modelo de cada tribo ou região africana, conforme a seguir:
Candomblé da Nação Ketu
Candomblé da Nação Jeje
Candomblé da Nação Angola
Candomblé da Nação Congo
Candomblé da Nação Muxicongo

A palavra Nação entra aí não para definir uma nação política, pois Nação Jeje não existia em termos políticos. O que é chamado de Nação Jeje é o Candomblé formado pelos povos vindos da região do Dahomé e formado pelos povos mahin. Os grupos que falavam a língua yorubá entre eles os de Oyó, Abeokuta, Ijesá, Ebá e Benin vieram constituir uma forma de culto denominada de Candomblé da Nação Ketu.
Ketu era uma cidade igual as demais, mas no Brasil passou a designar o culto de Candomblé da Nação Ketu ou Alaketu. Esses yorubás, quando guerriaram com os povos Jejes e perderam a batalha, se tornaram escravos desses povos, sendo posteriormente vendidos ao Brasil. Quando os yorubás chegaram naquela região sofridos e maltratados, foram chamados pelos fons de ànagô, que quer dizer na língua fon piolhentos, sujos entre outras coisas.
A palavra com o tempo se modificou e ficou nàgó e passou a ser aceita pelos povos yorubás no Brasil, para definir as suas origens e uma forma de culto.
Na verdade, não existe nenhuma nação política denominada nàgó. No Brasil, a palavra nàgó passou a denominar os Candomblés também de Xamba da região norte, mais conhecido como Sangô do Nordeste. Os Candomblés da Bahia e do Rio de Janeiro passaram a ser chamados de Nação Ketu com raízes yorubás. Porém, existem variações de Nações, por exemplo, Candomblé da Nação Efan e Candomblé da Nação Ijesá. Efan é uma cidade da região de Ilesá próxima a Osobô e ao rio Osun. Ijesá não é uma nação política.
Ijesá é o nome dado às pessoas que nascem ou vivem na região de Ilesá, que caracteriza a Nação Ijesá no Brasil é a posição que desfruta Osun como a rainha dessa nação. Da mesma forma como existe uma variação no Ketu, há também no Jeje, como por exemplo, Jeje Mahin. Mahin era uma tribo que existia próximo à cidade de Ketu.
Os Candomblés da Nação Angola e Congo foram desenvolvidos no Brasil com a chegada desses africanos vindos de Angola e Congo. A partir de Maria Néném e depois os Candomblés de Mansu Bunduquemqué do falecido Bernardino Bate-folha e Bam Dan Guaíne muitas formas surgiram seguindo tradições de cidades como Casanje, Munjolo, Cabinda, Muxicongo e outras. Nesse estudo sobre Nações de Candomblé, poderia relatar sobre outras formas de Candomblé, como por exemplo, Nàgó-vodun que é uma fusão de costumes yorubás e Jeje, e o Alaketu de sua atual dirigente Olga de Alaketu. Alaketu não é uma nação específica, mas sim uma Nação yorubá com a origem na mesma região de Ketu, cuja sua história no Brasil soma-se mais de 350 (trezentos e cinquenta) anos ao tempo dos ancestrais da casa: Otampé, Ojaró e Odé Akobí. A verdade é que o culto nigeriano de orixá, chamado de Candomblé no Brasil, foi organizado por mulheres para mulheres. Antigamente, nas primeiras casas de Candomblé, os homens não entravam na roda de dança para os orixás.
Mesmo os que tornavam-se Babalorixás tinham uma conduta diferente quanto a roda de dança. Desta forma, a participação dos homens era puramente circunstancial. Daí ter-se que se inserir no culto vários cargos para homens, como por exemplo, os cargos de ogans.Hoje a palavra Candomblé no Brasil define no Brasil o que chamamos de Culto Afro-Brasileiro.
Pesquisa organziada por Rejanne Soares