quinta-feira, 28 de junho de 2007
Raízes
Pode ate parecer que é loucura
Diga o que quiser.
É essa vida dentro de nós
Que não nos deixa morrer.
Mesmo nos braços da morte
Levantamos as mãos.
Essas mãos que são verdes e nos fazem crescer,
Que sussurram e cantam.
Pode então dizer que somos selvagens,
As pedidas do campo
De flores, nos tornamos
Um campo de flores.
Pode dizer que é loucura.
Somos selvagens
Que são essas nossas raízes,
é essa luz dentro de nós,
é essa nossa luz,
é a luz, pode dizer,
Tudo que quiser,
diga o quiser.
Maisa Mendonça
quinta-feira, 21 de junho de 2007
Até que os negros contem suas próprias histórias, a história sempre irá favorecer o branco
Refletir sobre a afirmação de enquanto o negro não pode contar sua história é sobre a égide do branco que se reproduz, não se remete apenas àquela lecionada na escola. Para além dela, também engloba a transmitida culturalmente. Não que pretendo ser maniqueísta nessa sentença, entretanto existem muitos ingredientes para desacreditar na hipótese que a omissão e o desprezo à tradição negra sejam apenas pequenos equívocos, lapsos de memórias.
O racismo impregna a trama social que, além de acarretar as distâncias sociais entre negros e brancos, tem provocado à percepção de que esse fosso é natural, portanto, a-histórico. Nos pequenos atos cotidianos, reproduzimos frases, práticas sociais, emissão de sentenças, de modo quase indiferente, que na verdade são clivados por valores morais construídos socialmente, portanto aprendidos.
O racismo impregna a trama social que, além de acarretar as distâncias sociais entre negros e brancos, tem provocado à percepção de que esse fosso é natural, portanto, a-histórico. Nos pequenos atos cotidianos, reproduzimos frases, práticas sociais, emissão de sentenças, de modo quase indiferente, que na verdade são clivados por valores morais construídos socialmente, portanto aprendidos.
Nascemos brancos, negros, indígenas e etc., biologicamente a cor não pode ser mudada, mesmo com os avanços tecnológicos na área da estética e beleza ainda são incapazes de alterar carga genética.
Entretanto, desde a tenra idade as socializações promovidas pelas diversas Instituições sociais como escola e família, ensinam sutilmente quais são as parcelas da sociedade que são marginalizadas e as posições que ocupamos na estrutura social. A reprodução social apresenta um padrão de exaltação ao homem branco, como portador da modernidade e protagonista, enquanto o homem negro é arcaico e coadjuvante.
E dentro da subalternização há um emaranhado de vetores, que não só incorporam a questão de Raça como mesclam outros fatores de desigualdade que se opera contra o corpo dos indivíduos, como as mulheres. As questões de Gênero e Raça apresentam muitas similaridades, nascemos naturalmente homens ou mulheres, mas no decorrer da formação das sociedades, principalmente a industrial, acabaram por gerar a dominação do homem sobre a mulher.
É interessante observar que, apesar das inúmeras conquistas nas últimas décadas das mulheres, a realidade social das negras ainda é diferente das demais. Enquanto, a competitividade no mercado de trabalho, o conflito entre a necessidade de dedicação profissional e o tempo para constituir e cuidar da família são os temas de algumas mulheres brancas que pertence à classe média, o ingresso no mercado ainda é um desafio para as mulheres negras, exceção para as funções sem qualquer qualificação.
Assim, como a violência doméstica contra as negras merece destaque, mesmo com a promulgação da Lei Maria da Penha (lei número 11.340/2006), recentemente, que endurece a pena daqueles que cometem a violência contra a mulher, o fato é que as negras ainda se constituem as principais vítimas, tanto dos seus companheiros, que se utiliza do machismo, dependência química e financeira para agredir fisicamente e psicologicamente. Da sociedade que se negligência dos aspetos de âmbito privado, principalmente das negras e pobres que são rotuladas como sem-vergonhas, que gostam de apanhar.
E finalmente do poder público, por às vezes expor às atendidas vexatoriamente, como nos casos de violência sexual. No decorrer do meu trabalho já ouvi um relato de uma pessoa que ao tentar registrar queixa teve de ouvir do policial que o marido dela como provedor da casa estava no gozo de seus direitos e era para ela ter vergonha de prejudicar deliberadamente um pai de família.
Apesar da violência doméstica não só se apresentar em uma camada social especifica, no caso das mulheres negras, além da necessidade de superar a dependência afetiva, implica nas dificuldades de sustentabilidade para si e seus filhos e ainda ter que encarar a tradição que banaliza essa situação.
Dentro desse grosso caldo cultural brasileiro, perdemos de vista a referência positiva da mulher negra na história, as personalidades femininas dos séculos passados muitos se limitam as pertencentes às religiões afro-brasileiras ou que impulsionaram o carnaval. Todavia, no mote atual apresentam tímidas ascensões em algumas áreas, como esporte e entretenimento, a maioria ainda engrossam os índices de pesquisas sobre pobreza, violência intra-familiar e motarlidade materno-infantil.
Em suma, nada é isolado, a cultura e a história sobre designações errôneas contribuem para a construção de um quadro depreciativo sobre a questão de Gênero e Raça. Os afro-brasileiros que sofreram a escravidão no Brasil lembravam laconicamente das histórias de suas terras, das tribos, dos heróis, o sincronismo e religiosidade propagavam suas raízes e impulsionavam a luta contra a opressão em prol da liberdade. E hoje à falta de otimismo e a distorção da história sobre o negro, fomenta a descrença de um futuro melhor. E dentre uma das estratégias para superar esse quadro imposto, aponto na transversalidade das ações, para abranger desde os pequenos atos cotidianos a estrutura, aliando os movimentos sociais, Organizações Não-governamentais, governos, sociedade civil, imprensa, comunidade acadêmica e entre outros. E principalmente identificar nas representações simbólicas partilhadas socialmente, presente desde os materiais didáticos escolares e até nas relações sociais em geral, que contribuem para legitimar uma raça sobre outro(s), um gênero sobre o outro.
Karina da Silva PintoAssistente Social
Conselheira Municipal de Assistência Social de São João de Meriti.Atuante nos ações em prol de Gênero e Raça na Baixada Fluminense.kar_inasilva@hotmail.com
Fonte: http://www.dialogoscontraoracismo.org.br
Pesquisa organizada por Rejanne Soares
Instituto de Mulheres Negras do Amapá - IMENA
O Instituto de Mulheres Negras do Amapá foi fundado em 7 de maio de 2000, na cidade de Macapá, no Amapá.
Fruto de uma gestão coletiva, o IMENA teve seu parto assistido por um grupo de orgulhosas mulheres negras e de suas madrinhas do Geledés. Nasceu sobre o signo de touro e da ousadia, em plena Lua Nova, no meio do mundo latitude zero, sobre a linha do equador, banhado pelas águas do Rio Amazonas e bos as bênçãos das entidades da floresta e de suas ancestrais guerreiras.
O IMENA vem com a missão de somar-se às pessoas e organizações que lutam contra o sexismo, o racismo, a injustiça e todas as formas de discriminação e preconceitos. O projeto visa colaborar para a construção de uma sociedade mais justa, solidária e igualitária, onde todas e todos possam viver com dignidade e prazer.
As mulheres negras do Amapá querem compartilhar com a sociedade amapaense e com pessoas do Brasil e do mundo o prazer desta nova criação e convidar àqueles que acreditam no futuro e no novo a contribuir para o crescimento e fortalecimento do IMENA.
O IMENA e uma organização política de mulheres negras, sem fins lucrativos, sem vinculações religiosas, organização não governamental de assistência social, democrática e sem nenhuma vinculação político-partidária nem discriminação de qualquer natureza.
O IMENA tem como missão institucional o combate ao preconceito, discriminação racial, sexismo e a luta pela universalização efetiva dos Direitos Humanos, inerentes à cidadania, combatendo prioritariamente a marginalização das populações negras.
Objetivos: Promover a solidariedade e a igualdade entre homens e mulheres, sem distinção de raça, etnia, cor, idade, classe social, orientação sexual, religião, ascendência, origem nacional ou regional, estado civil, estado de saúde, filiação, deficiência física ou condição de egresso;
Defender os direitos dos cidadãos negros, especialmente mulheres e jovens, e incentivar sua interação no mercado de trabalho e na sociedade civil organizada;
Sensibilizar amplos setores da sociedade contra as práticas de discriminação racial ou sexual, através de denúncias responsáveis e da informação bem fundamentada.
Ações de Implementação:Educação de jovens e adultos: A escola funciona no Centro de Cultura Negra. O público alvo é formado por jovens e adultos negros não alfabetizados, oriundos do bairro do Laguinho e adjacências. É fruto de uma parceria com a Secretaria Estadual de Educação.
Feira de Cultura Afro-brasileira Oyá-Iansã: Tem como principal objetivo alavancar a socialização de mulheres negras amazoninas artesãs, e outras que vivam no anonimato social, prioritariamente em comunidades quilombolas, além da valorização da gastronomia regional.
Programa de Rádio: O IMENA participa do programa de rádio “Viva Mulher”, transmitido às sextas-feiras pela Rádio Difusora de Macapá, divulgando suas ações e abrangendo temas relacionados aos direitos e deveres da cidadania da população afrodescendente, principalmente das mulheres negras.
Implantação do Programa de Defesa dos Direitos Humanos: Objetiva desenvolver um conjunto de ações que contribuam para a defesa dos direitos da população negra do estado. Este programa é constituído basicamente pelo SOS RACISMO, que consiste em serviço de atendimento jurídico e encaminhamento legal de processos de vítimas de racismo, prevendo atuação judicial em casos que atinjam a imagem coletiva da comunidade negra.
Programa Saúde da Mulher Negra: Visa contribuir como o processo organizativo das mulheres de comunidades negras rurais na luta pela saúde da mulher. Tem como público mulheres negras de diferentes idades.
Também fazem parte das atividades do IMENA, palestras educativas, oficinas e cursos, além do projeto Biblioteca Itinerante “Histórias da Mãe Preta”, com informações culturais e históricas do povo negro.
IMENA – INSTITUTO DE MULHERES NEGRAS DO AMAPÁAvenida José Antônio Siqueira, 692 – LaguinhoMacapá/AMAPÁ – cep: 68908-040
Informações: fones (96) 222-1741, fax: 222-1741 ou 222-4873 ou
Pelo e-mail: imena@bol.com.br
Fonte: www.portalafro.com.br
Pesquisa organziada por Rejanne Soares
Zumbi dos Palmares, o maior ícone da resistência negra ao escravismo no Brasil
Vinte de novembro é o Dia Nacional da Consciência Negra. A data - transformada em Dia Nacional da Consciência Negra pelo Movimento Negro Unificado em 1978 - não foi escolhida ao acaso, e sim como homenagem a Zumbi, líder máximo do Quilombo de Palmares e símbolo da resistência negra, assassinado em 20 de novembro de 1695.
O Quilombo dos Palmares foi fundado no ano de 1597, por cerca de 40 escravos foragidos de um engenho situado em terras pernambucanas. Em pouco tempo, a organização dos fundadores fez com que o quilombo se tornasse uma verdadeira cidade. Os negros que escapavam da lida e dos ferros não pensavam duas vezes: o destino era o tal quilombo cheio de palmeiras.
Com a chegada de mais e mais pessoas, inclusive índios e brancos foragidos, formaram-se os mocambos, que funcionavam como vilas. O mocambo do macaco, localizado na Serra da Barriga, era a sede administrativa do povo quilombola. Um negro chamado Ganga Zumba foi o primeiro rei do Quilombo dos Palmares.
Alguns anos após a sua fundação,o Quilombo dos Palmares foi invadido por uma expedição bandeirante. Muitos habitantes, inclusive crianças, foram degolados. Um recém-nascido foi levado pelos invasores e entregue como presente a Antônio Melo, um padre da vila de Recife.
O menino, batizado pelo padre com o nome de Francisco, foi criado e educado pelo religioso, que lhe ensinou a ler e escrever, além de lhe dar noções de latim, e o iniciar no estudo da Bíblia. Aos 12 anos o menino era coroinha. Entretanto, a população local não aprovava a atitude do pároco, que criava o negrinho como filho, e não como servo.
Apesar do carinho que sentia pelo seu pai adotivo, Francisco não se conformava em ser tratado de forma diferente por causa de sua cor. E sofria muito vendo seus irmãos de raça sendo humilhados e mortos nos engenhos e praças públicas. Por isso, quando completou 15 anos, o franzino Francisco fugiu e foi em busca do seu lugar de origem, o Quilombo dos Palmares.
Após caminhar cerca de 132 quilômetros, o garoto chegou à Serra da Barriga. Como era de costume nos quilombos, recebeu uma família e um novo nome. Agora, Francisco era Zumbi. Com os conhecimentos repassados pelo padre, Zumbi logo superou seus irmãos em inteligência e coragem. Aos 17 anos tornou-se general de armas do quilombo, uma espécie de ministro de guerra nos dias de hoje.
Com a queda do rei Ganga Zumba, morto após acreditar num pacto de paz com os senhores de engenho, Zumbi assumiu o posto de rei e levou a luta pela liberdade até o final de seus dias. Com o extermínio do Quilombo dos Palmares pela expedição comandada pelo bandeirante Domingos Jorge Velho, em 1694, Zumbi fugiu junto a outros sobreviventes do massacre para a Serra de Dois Irmãos, então terra de Pernambuco.
Contudo, em 20 de novembro de 1695 Zumbi foi traído por um de seus principais comandantes, Antônio Soares, que trocou sua liberdade pela revelação do esconderijo. Zumbi foi então torturado e capturado. Jorge Velho matou o rei Zumbi e o decapitou, levando sua cabeça até a praça do Carmo, na cidade de Recife, onde ficou exposta por anos seguidos até sua completa decomposição.
“Deus da Guerra”, “Fantasma Imortal” ou “Morto Vivo”. Seja qual for a tradução correta do nome Zumbi, o seu significado para a história do Brasil e para o movimento negro é praticamente unânime: Zumbi dos Palmares é o maior ícone da resistência negra ao escravismo e de sua luta por liberdade. Os anos foram passando, mas o sonho de Zumbi permanece e sua história é contada com orgulho pelos habitantes da região onde o negro-rei pregou a liberdade.
Fonte: www.unificado.com.br
Pesquisa organizada por Rejanne Soares
O Quilombo dos Palmares foi fundado no ano de 1597, por cerca de 40 escravos foragidos de um engenho situado em terras pernambucanas. Em pouco tempo, a organização dos fundadores fez com que o quilombo se tornasse uma verdadeira cidade. Os negros que escapavam da lida e dos ferros não pensavam duas vezes: o destino era o tal quilombo cheio de palmeiras.
Com a chegada de mais e mais pessoas, inclusive índios e brancos foragidos, formaram-se os mocambos, que funcionavam como vilas. O mocambo do macaco, localizado na Serra da Barriga, era a sede administrativa do povo quilombola. Um negro chamado Ganga Zumba foi o primeiro rei do Quilombo dos Palmares.
Alguns anos após a sua fundação,o Quilombo dos Palmares foi invadido por uma expedição bandeirante. Muitos habitantes, inclusive crianças, foram degolados. Um recém-nascido foi levado pelos invasores e entregue como presente a Antônio Melo, um padre da vila de Recife.
O menino, batizado pelo padre com o nome de Francisco, foi criado e educado pelo religioso, que lhe ensinou a ler e escrever, além de lhe dar noções de latim, e o iniciar no estudo da Bíblia. Aos 12 anos o menino era coroinha. Entretanto, a população local não aprovava a atitude do pároco, que criava o negrinho como filho, e não como servo.
Apesar do carinho que sentia pelo seu pai adotivo, Francisco não se conformava em ser tratado de forma diferente por causa de sua cor. E sofria muito vendo seus irmãos de raça sendo humilhados e mortos nos engenhos e praças públicas. Por isso, quando completou 15 anos, o franzino Francisco fugiu e foi em busca do seu lugar de origem, o Quilombo dos Palmares.
Após caminhar cerca de 132 quilômetros, o garoto chegou à Serra da Barriga. Como era de costume nos quilombos, recebeu uma família e um novo nome. Agora, Francisco era Zumbi. Com os conhecimentos repassados pelo padre, Zumbi logo superou seus irmãos em inteligência e coragem. Aos 17 anos tornou-se general de armas do quilombo, uma espécie de ministro de guerra nos dias de hoje.
Com a queda do rei Ganga Zumba, morto após acreditar num pacto de paz com os senhores de engenho, Zumbi assumiu o posto de rei e levou a luta pela liberdade até o final de seus dias. Com o extermínio do Quilombo dos Palmares pela expedição comandada pelo bandeirante Domingos Jorge Velho, em 1694, Zumbi fugiu junto a outros sobreviventes do massacre para a Serra de Dois Irmãos, então terra de Pernambuco.
Contudo, em 20 de novembro de 1695 Zumbi foi traído por um de seus principais comandantes, Antônio Soares, que trocou sua liberdade pela revelação do esconderijo. Zumbi foi então torturado e capturado. Jorge Velho matou o rei Zumbi e o decapitou, levando sua cabeça até a praça do Carmo, na cidade de Recife, onde ficou exposta por anos seguidos até sua completa decomposição.
“Deus da Guerra”, “Fantasma Imortal” ou “Morto Vivo”. Seja qual for a tradução correta do nome Zumbi, o seu significado para a história do Brasil e para o movimento negro é praticamente unânime: Zumbi dos Palmares é o maior ícone da resistência negra ao escravismo e de sua luta por liberdade. Os anos foram passando, mas o sonho de Zumbi permanece e sua história é contada com orgulho pelos habitantes da região onde o negro-rei pregou a liberdade.
Fonte: www.unificado.com.br
Pesquisa organizada por Rejanne Soares
Mulheres Negras Vivendo com HIV
Mulheres negras vivendo com HIV passam por uma experiência mais difícil, e sujeita a uma probabilidade maior de complicações ou insucesso no tratamento, do que mulheres não-negras. A análise de entrevistas e do perfil sócio-econômico de mais de mil soropositivas paulistas, feita pela bióloga Fernanda Lopes, aponta claramente as diferenças no que se chama vulnerabilidade quando considerada a raça das pacientes. Em outras palavras, caracterizou estatisticamente quanto e como cada grupo está exposto tanto à infecção pelo vírus, como ao adoecimento de fato.
Os resultados da pesquisa, apresentados em sua tese de doutorado, mostram que as negras chegam mais tardiamente e já adoecidas ao sistema de saúde, têm mais dificuldade de seguir o tratamento e não encontram, nos serviços especializados, profissionais capazes de compreender as especificidades relacionadas à questão racial.A capacitação dos profissionais de saúde para reconhecer as necessidades próprias à condição racial é o que Fernanda reforça como o primeiro passo a ser dado para tentar diminuir estas disparidades no serviço de atenção a pacientes com HIV. “É importante identificar estes fatores que determinam a vulnerabilidade para que os programas de prevenção e tratamento passem a considerar as dimensões social, de gênero e as desvantagens históricas acumuladas pela população negra, em especial as mulheres”, afirma. “Quando o profissional não percebe a diferença entre os grupos, não percebe que há ecessidades diferentes.”Uma das formas de reconhecê-las é melhorando a qualidade do diálogo entre profissionais e usuários do sistema de saúde.
No entanto, Fernanda frisa que o tratamento desigual “pode ser uma manifestação de racismo”, mas não dos profissionais. Estes precisam ser sensibilizados para reconhecer as práticas institucionais “cristalizadas” que acabam tornando “naturais” fatos como postos de saúde nas periferias, usados com maior freqüência por negras, serem mais precários que os serviços oferecidos nas regiões centrais das cidades. “É impossível admitir que o serviço prestado seja diferenciado”, indigna-se a bióloga, que hoje coordena as ações de saúde do Programa de Combate ao Racismo Institucional.
DIFERENÇAS SOCIAIS
A pesquisa feita por Fernanda Lopes faz parte de um projeto maior dedicado a avaliar a qualidade do cuidado e a vulnerabilidade de mulheres com diagnóstico de HIV atendidas em centros especializados no estado de São Paulo. A pesquisadora, então, selecionou uma amostra de 1.068 pesquisadas – 526 não-negras (que se declararam brancas, amarelas ou indígenas) e 542 negras (declaradamente negras ou pardas). As perguntas feitas a elas avaliaram quatro momentos: o anterior à infecção, a chegada ao serviço de saúde, o diagnóstico e o atendimento nos serviços especializados.O primeiro passo para estabelecer as diferenças entre os fatores de vulnerabilidade de um e outro grupo foi caracterizar a condição sócio-econômica de cada um. O perfil das mulheres negras que emergiu desta análise é bastante coerente com o que em geral apontam pesquisas menos focadas. Elas tinham menor escolaridade e renda individual e per capta menor que as mulheres não-negras. Suas casas tinham menos cômodos, suas famílias eram mais numerosas e elas eram responsáveis pelo cuidado de um número maior de pessoas.Cruzando alguns destes dados com outros também retirados da pesquisa, Fernanda conseguiu apontar a interferência destas condições sociais sobre, por exemplo, como as pacientes negras relacionam-se com os profissionais de saúde que as atendem nos serviços especializados. Quanto menor a escolaridade neste grupo, maior o número de mulheres que respondeu afirmativamente à pergunta “tem/teve dificuldade em tirar dúvidas com ginecologista ou infectologista?”.Outra interferência apontada por Fernanda diz respeito ao número de pessoas sob os cuidados da mulher e a condição em que esta chegou pela primeira vez ao sistema de saúde. “Sabe-se que o auto-cuidado é, para a mulher, secundário em relação àqueles que ela tem com a família”, afirma a pesquisadora. “Portanto, quanto mais gente ela tem para cuidar, menos tempo ela dedica para cuidar da sua saúde, da sua autonomia.” De fato, a pesquisa apontou que as mulheres negras chegam mais tardiamente e já doentes para fazer o diagnóstico. “Elas não chegavam ao serviço de saúde para testar o HIV após terem sido expostas a uma situação de risco, mas porque já estavam doentes”, explica a bióloga.
MENOS ATENÇÃO NO TRATAMENTO
A avaliação dos dois grupos sobre o atendimento nos serviços especializados também teve outras diferenças acentuadas. As mulheres negras tiveram menor acesso a informações corretas sobre aspectos relacionados ao tratamento como o uso dos medicamentos anti-retrovirais ou sobre as ações de redução de danos para usuários de drogas injetáveis.Outro detalhe pouco conhecido pelas negras, e considerado fundamental por Fernanda, é o significado dos testes realizados. São dois: o exame de carga viral, que conta quantas cópias do vírus estão presentes na corrente sangüínea; e o CB-4, que diz quanto está sendo produzido de anticorpos pelo organismo. O primeiro serve para medir a extensão da infecção e o segundo, o quanto a doença já está se manifestando. “Saber o significado de cada um desses exames têm uma relação direta com a adesão ao tratamento e a construção de estratégias de auto-cuidado mais eficientes”, comenta a pesquisadora.As mulheres negras também tiveram menos oportunidades de discutir com profissionais de saúde sobre sua vida sexual. Elas também passaram com menos freqüência pela avaliação de outros especialistas que não ginecologistas e infectologistas, mas que igualmente podem fazer diferença no tratamento, como dentistas ou nutricionistas.O estudo feito por Fernanda não permite relacionar esta atenção menos qualificada às mulheres negras com sua qualidade de vida e longevidade. No entanto, ela lembra que outras pesquisas dão indícios de que este grupo racial adoece ou morre mais rápido em decorrência do HIV. A taxa de mortalidade, por exemplo, é 2,9 vezes maior entre pretas e pardas quando comparadas às brancas. Também o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde em 2004 apontou uma estagnação da epidemia entre a população branca, mas um número crescente de infectados entre os negros.
Fonte: Site http://www.reportersocial.com.br/
Pesquisa organizada por Rejanne Soares
Os resultados da pesquisa, apresentados em sua tese de doutorado, mostram que as negras chegam mais tardiamente e já adoecidas ao sistema de saúde, têm mais dificuldade de seguir o tratamento e não encontram, nos serviços especializados, profissionais capazes de compreender as especificidades relacionadas à questão racial.A capacitação dos profissionais de saúde para reconhecer as necessidades próprias à condição racial é o que Fernanda reforça como o primeiro passo a ser dado para tentar diminuir estas disparidades no serviço de atenção a pacientes com HIV. “É importante identificar estes fatores que determinam a vulnerabilidade para que os programas de prevenção e tratamento passem a considerar as dimensões social, de gênero e as desvantagens históricas acumuladas pela população negra, em especial as mulheres”, afirma. “Quando o profissional não percebe a diferença entre os grupos, não percebe que há ecessidades diferentes.”Uma das formas de reconhecê-las é melhorando a qualidade do diálogo entre profissionais e usuários do sistema de saúde.
No entanto, Fernanda frisa que o tratamento desigual “pode ser uma manifestação de racismo”, mas não dos profissionais. Estes precisam ser sensibilizados para reconhecer as práticas institucionais “cristalizadas” que acabam tornando “naturais” fatos como postos de saúde nas periferias, usados com maior freqüência por negras, serem mais precários que os serviços oferecidos nas regiões centrais das cidades. “É impossível admitir que o serviço prestado seja diferenciado”, indigna-se a bióloga, que hoje coordena as ações de saúde do Programa de Combate ao Racismo Institucional.
DIFERENÇAS SOCIAIS
A pesquisa feita por Fernanda Lopes faz parte de um projeto maior dedicado a avaliar a qualidade do cuidado e a vulnerabilidade de mulheres com diagnóstico de HIV atendidas em centros especializados no estado de São Paulo. A pesquisadora, então, selecionou uma amostra de 1.068 pesquisadas – 526 não-negras (que se declararam brancas, amarelas ou indígenas) e 542 negras (declaradamente negras ou pardas). As perguntas feitas a elas avaliaram quatro momentos: o anterior à infecção, a chegada ao serviço de saúde, o diagnóstico e o atendimento nos serviços especializados.O primeiro passo para estabelecer as diferenças entre os fatores de vulnerabilidade de um e outro grupo foi caracterizar a condição sócio-econômica de cada um. O perfil das mulheres negras que emergiu desta análise é bastante coerente com o que em geral apontam pesquisas menos focadas. Elas tinham menor escolaridade e renda individual e per capta menor que as mulheres não-negras. Suas casas tinham menos cômodos, suas famílias eram mais numerosas e elas eram responsáveis pelo cuidado de um número maior de pessoas.Cruzando alguns destes dados com outros também retirados da pesquisa, Fernanda conseguiu apontar a interferência destas condições sociais sobre, por exemplo, como as pacientes negras relacionam-se com os profissionais de saúde que as atendem nos serviços especializados. Quanto menor a escolaridade neste grupo, maior o número de mulheres que respondeu afirmativamente à pergunta “tem/teve dificuldade em tirar dúvidas com ginecologista ou infectologista?”.Outra interferência apontada por Fernanda diz respeito ao número de pessoas sob os cuidados da mulher e a condição em que esta chegou pela primeira vez ao sistema de saúde. “Sabe-se que o auto-cuidado é, para a mulher, secundário em relação àqueles que ela tem com a família”, afirma a pesquisadora. “Portanto, quanto mais gente ela tem para cuidar, menos tempo ela dedica para cuidar da sua saúde, da sua autonomia.” De fato, a pesquisa apontou que as mulheres negras chegam mais tardiamente e já doentes para fazer o diagnóstico. “Elas não chegavam ao serviço de saúde para testar o HIV após terem sido expostas a uma situação de risco, mas porque já estavam doentes”, explica a bióloga.
MENOS ATENÇÃO NO TRATAMENTO
A avaliação dos dois grupos sobre o atendimento nos serviços especializados também teve outras diferenças acentuadas. As mulheres negras tiveram menor acesso a informações corretas sobre aspectos relacionados ao tratamento como o uso dos medicamentos anti-retrovirais ou sobre as ações de redução de danos para usuários de drogas injetáveis.Outro detalhe pouco conhecido pelas negras, e considerado fundamental por Fernanda, é o significado dos testes realizados. São dois: o exame de carga viral, que conta quantas cópias do vírus estão presentes na corrente sangüínea; e o CB-4, que diz quanto está sendo produzido de anticorpos pelo organismo. O primeiro serve para medir a extensão da infecção e o segundo, o quanto a doença já está se manifestando. “Saber o significado de cada um desses exames têm uma relação direta com a adesão ao tratamento e a construção de estratégias de auto-cuidado mais eficientes”, comenta a pesquisadora.As mulheres negras também tiveram menos oportunidades de discutir com profissionais de saúde sobre sua vida sexual. Elas também passaram com menos freqüência pela avaliação de outros especialistas que não ginecologistas e infectologistas, mas que igualmente podem fazer diferença no tratamento, como dentistas ou nutricionistas.O estudo feito por Fernanda não permite relacionar esta atenção menos qualificada às mulheres negras com sua qualidade de vida e longevidade. No entanto, ela lembra que outras pesquisas dão indícios de que este grupo racial adoece ou morre mais rápido em decorrência do HIV. A taxa de mortalidade, por exemplo, é 2,9 vezes maior entre pretas e pardas quando comparadas às brancas. Também o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde em 2004 apontou uma estagnação da epidemia entre a população branca, mas um número crescente de infectados entre os negros.
Fonte: Site http://www.reportersocial.com.br/
Pesquisa organizada por Rejanne Soares
Saude da Mulher Negra e a AIDS
Transformar a realidade é uma tarefa árdua e bastante instigante, mas já temos
alguns avanços garantidos com recorte de gênero, raça e etnia em programas de saúde pública a nível Nacional, Estadual e municipal, mas ainda temos demanda que precisam ser superadas.
alguns avanços garantidos com recorte de gênero, raça e etnia em programas de saúde pública a nível Nacional, Estadual e municipal, mas ainda temos demanda que precisam ser superadas.
È importante à articulação entre as atividades de organização e formação, bem como a
construção de uma, abordagem política e metodológica que procure garantir a implantação de
políticas públicas de saúde contemplando: gênero, raça e classe.
Baseada nos princípios do SUS garantindo equidade, superação das desigualdades norteamos desconstrução do preconceito racial e reafirmamos auto-estima, garantindo desta forma o pleno exercício da cidadania com autonomia e respeito.
Especificar o campo da saúde da mulher negra como viés necessário e dar visibilidade á vulnerabilidade que a população negra esta exposta.
Consolidar rede de informação sobre políticas públicas em DST/HIV/AIDS.Conscientizar a população para a importância da ação de cada uma como multiplicadora no processo de prevenção.
Estabelecer o diálogo entre diferentes atores sociais (o SUS inclusive) em ações de promoção e prevenção á saúde da população negra.
quarta-feira, 20 de junho de 2007
Dia 25 de Julho - Dia da Mulher Afro-latina-Americana Caribenha
O Dia da Mulher Afro-latina-Americana Caribenha, foi criado a partir do I Encontro de Mulheres afro-latinas Americanas e Afro-caribenha, em Santo Domingo na Republica Dominicana, desde este encontro ficou estipulado que o dia 25 de Julho seria o dia do marco internacional da Luta e da Resistência da Mulher Negra, desde então as Mulheres Negras vem se organizando atividades na proposta de consolidar e dar visibilidade a esta data, levando em consideração a condição e opressão de gênero raça/etnia, que nos mulheres negras vivemos cotidianamente.
O objetivo da comemoração de 25 de julho é ampliar e fortalecer às organizações de mulheres negras do estado, construir estratégias para a inserção de temáticas voltadas para o enfrentamento ao racismo, sexismo, discriminação, preconceito e demais desigualdades raciais e sociais. É um dia para ampliar parcerias, dar visibilidade à luta, às ações, promoção, valorização e debate sobre a identidade da mulher negra brasileira.
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